É, portanto, exausta que a Europa aborda este pós-guerra, em que os vencedores estão firmemente decididos a se refazerem à custa dos vencidos.
Em 18 de janeiro de 1919 inicia em Paris a conferência de paz, tendo como únicos participantes as potências vitoriosas. Logo fica claro que os “14 pontos”, enunciados no entusiasmo do ano precedente pelo presidente americano Wilson, estão destinados a ficar, pelo menos em parte, letra morta. Entretanto, eles se destinavam a promover uma nova ordem internacional.
Os princípios de Wilson da autodeterminação dos povos e respeito pelas entidades nacionais na fixação de novas fronteiras irão se chocar, na prática, com o espírito dominante da diplomacia européia, preocupada sobretudo com suas conquistas territoriais e econômicas. Em conseqüência dos acordos de Versalhes, os impérios Austro-Húngaro e Turco deixam de existir e são desmembrados, sob a pressão dos diferentes grupos étnicos locais. Duríssimas condições de paz são impostas à Alemanha.
A nova república alemã é privada de 13% de seu território. Com isso, importantes centros industriais como os da Alsácia-Lorena, 75% de suas jazidas de ferro e 25% das de carvão lhe são assim retirados. Suas colônias são distribuídas entre os vencedores, sob a vigilância da recém-criada Liga das Nações. Seu exército é reduzido ao mínimo, com uma limitação de armamento ofensivo.
Enfim, a responsabilidade do conflito é atribuída, em bases discutíveis, aos impérios centrais, e exige-se da Alemanha o pagamento de uma indenização de guerra que alcança a cifra fantástica de 6,6 bilhões de libras esterlinas. Porém, mesmo dentro do grupo dos vencedores, nem todos ficam igualmente satisfeitos com os tratados de paz. A Rússia, às voltas com uma sangrenta guerra civil, não participa da conferência de Paris, enquanto os Estados Unidos acabarão se recusando a ratificar o tratado de Versalhes. Em especial na Itália o tema da “vitória mutilada” volta com insistência, e a delimitação das fronteiras com a recém-criada Iugoslávia coloca numerosos problemas. Em seu conjunto, os diferentes tratados de paz assinados nos anos do pós-guerra logo se revelam como um fracasso total, pelo menos quanto ao seu principal objetivo: evitar um novo conflito.
Para aprofundar: - As questões que geraram a Primeira Guerra não foram resolvidas, permaneceram. Procure identificar no texto acima essas questões.
- O que o texto quis dizer com a última frase?
- Procure conhecer os 14 pontos propostos pelo presidente Wilson.
- Será que teria sido positivo se eles fossem adotados?
- Na época da Primeira Guerra Mundial, qual era “o espírito dominante da diplomacia européia”?
- Pesquise o que era o tema da “vitória mutilada”.
ISNENGHI, Mario. História da Primeira Guerra Mundial. São Paulo: Ed. Ática, 1995, p. 149.
Visualizações: 851
Nenhum comentário:
Postar um comentário